segunda-feira, 10 de junho de 2013

TRIBUNA DA FAMÍLIA
Onde eu errei... Capítulo I
Atualmente, ter uma família é simples. Mas TER uma família não é tudo. É necessário SER família. Reconhecer os erros do passado produz, hoje, uma nova perspectiva e uma nova realidade de convivência para mim e para minha família. A partir desta edição, vou compartilhar com você os principais pontos de aprendizado. Antes de começarmos, quero expressar o carinho e o respeito que tenho por cada leitor desta coluna e dizer que, de maneira alguma, estou aqui como dono de “alguma verdade” ou querendo ensinar qualquer coisa. Se os relatos das experiências forem de alguma valia, o objetivo será alcançado. Não para minha glória, mas unicamente para a honra e glória daquele que tem me proporcionado tudo isso, e muito mais, Jesus!  Vamos ao primeiro ponto. Ele tomará toda a nossa atenção nesta edição:

Ser família exige menos ego e mais comunhão: essa, talvez, tenha sido a minha principal falha. Tudo girava em torno dos meus desejos e objetivos. Os interesses pessoais de quem estava ao meu lado pouco importavam e foram praticamente anulados. E isso era algo sutil. Dava até a impressão de ser consensual. Mas hoje eu consigo enxergar o quanto isso foi destrutivo para o relacionamento. Agora pensem nas conseqüências para a pessoa que vivia comigo. Quando a gente se separou, ela precisou iniciar a reconstrução de uma vida que tinha sido totalmente dedicada aos meus objetivos. No segundo relacionamento, passado o período inicial, que é sempre um “mar de rosas”, o egoísmo começou a imperar novamente. Dali em diante, a história começou a ser repetida. Dia após dia, o relacionamento foi sendo deteriorado. Mas, graças a Deus, o ciclo foi interrompido. Ainda estamos muito longe da perfeição. Todo dia, a Patricia e eu enfrentamos problemas e discussões ligadas ao nosso ego. Mas a consciência que criamos a respeito da necessidade de comunhão de ideais e objetivos tem proporcionado bastante equilíbrio e um tempo mais curto entre o errar e o pedir perdão. Eu procuro apoiar os objetivos dela. Para isso, preciso abrir mão de alguma coisa. E como é difícil abrir mão, não é! Ela também tem feito um constante exercício de abrir mão. Quando chegam os filhos, novos interesses e necessidades são adicionados a relação, passando a exigir uma postura ainda mais livre do egoísmo.  Não é possível convivermos de forma equilibrada em família sem abrirmos mão de alguma coisa. Assim, deixam de existir objetivos individuais, pois na medida em que eles são mesclados passam a ser da família.
O mais importante disso tudo é que o abrir mão não pode produzir peso, sofrimento ou frustração. Não há cobranças posteriores do tipo: “eu abri mão dos meus estudos por sua causa”, “pois é...tive que ficar cuidando das crianças e fiquei para trás”, etc. Estas decisões devem estar “embrulhadas” no amor, devem ser conscientes e em comum acordo. Se você me pedir como isso é possível, eu respondo que só Deus, nosso Pai, que é o próprio amor, é capaz de produzir em nós o desapego e a comunhão genuínos.

Oldair da Silva
http://oldairdasilva.blogspot.com.br
Coluna quinzenal no Jornal do Médio Vale - www.jornaldomediovale.com.br

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