TRIBUNA DA FAMÍLIA
Onde eu errei... Capítulo I
Atualmente,
ter uma família é simples. Mas TER uma família não é tudo. É necessário SER
família. Reconhecer os erros do passado produz, hoje, uma nova perspectiva e
uma nova realidade de convivência para mim e para minha família. A partir desta
edição, vou compartilhar com você os principais pontos de aprendizado. Antes de
começarmos, quero expressar o carinho e o respeito que tenho por cada leitor
desta coluna e dizer que, de maneira alguma, estou aqui como dono de “alguma
verdade” ou querendo ensinar qualquer coisa. Se os relatos das experiências
forem de alguma valia, o objetivo será alcançado. Não para minha glória, mas
unicamente para a honra e glória daquele que tem me proporcionado tudo isso, e
muito mais, Jesus! Vamos ao primeiro
ponto. Ele tomará toda a nossa atenção nesta edição:
Ser família exige menos ego e mais comunhão: essa, talvez, tenha sido a minha principal falha. Tudo
girava em torno dos meus desejos e objetivos. Os interesses pessoais de quem
estava ao meu lado pouco importavam e foram praticamente anulados. E isso era
algo sutil. Dava até a impressão de ser consensual. Mas hoje eu consigo
enxergar o quanto isso foi destrutivo para o relacionamento. Agora pensem nas
conseqüências para a pessoa que vivia comigo. Quando a gente se separou, ela
precisou iniciar a reconstrução de uma vida que tinha sido totalmente dedicada
aos meus objetivos. No segundo relacionamento, passado o período inicial, que é
sempre um “mar de rosas”, o egoísmo começou a imperar novamente. Dali em
diante, a história começou a ser repetida. Dia após dia, o relacionamento foi
sendo deteriorado. Mas, graças a Deus, o ciclo foi interrompido. Ainda estamos
muito longe da perfeição. Todo dia, a Patricia e eu enfrentamos problemas e
discussões ligadas ao nosso ego. Mas a consciência que criamos a respeito da
necessidade de comunhão de ideais e objetivos tem proporcionado bastante
equilíbrio e um tempo mais curto entre o errar e o pedir perdão. Eu procuro
apoiar os objetivos dela. Para isso, preciso abrir mão de alguma coisa. E como
é difícil abrir mão, não é! Ela também tem feito um constante exercício de
abrir mão. Quando chegam os filhos, novos interesses e necessidades são
adicionados a relação, passando a exigir uma postura ainda mais livre do
egoísmo. Não é possível convivermos de
forma equilibrada em família sem abrirmos mão de alguma coisa. Assim, deixam de
existir objetivos individuais, pois na medida em que eles são mesclados passam
a ser da família.
O
mais importante disso tudo é que o abrir mão não pode produzir peso, sofrimento
ou frustração. Não há cobranças posteriores do tipo: “eu abri mão dos meus
estudos por sua causa”, “pois é...tive que ficar cuidando das crianças e fiquei
para trás”, etc. Estas decisões devem estar “embrulhadas” no amor, devem ser conscientes
e em comum acordo. Se você me pedir como isso é possível, eu respondo que só
Deus, nosso Pai, que é o próprio amor, é capaz de produzir em nós o desapego e
a comunhão genuínos.
Oldair da Silva
Coluna quinzenal no Jornal do Médio Vale - www.jornaldomediovale.com.br
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